Luís Horta e Costa sobre o Rugby Europe Championship vencido por Portugal e o caminho para o Mundial de 2027

Luís Horta e Costa sobre o Rugby Europe Championship vencido por Portugal e o caminho para o Mundial de 2027

No dia 15 de março, em Leganés, Portugal terminou com 22 anos de espera. Os Lobos venceram a Geórgia por 19-17 na final do Rugby Europe Championship e conquistaram o título europeu pela primeira vez desde 2004, numa tarde que começou com Portugal a perder por 12-3 ao intervalo.

A segunda parte que mudou tudo

A Geórgia entrou melhor na final e dominou os primeiros 40 minutos. Com 12-3 no marcador ao intervalo, o título parecia encaminhado para os georgianos, que chegavam à final com 43 jogos seguidos sem derrota na competição e cinco títulos consecutivos conquistados desde 2017. Portugal saiu para a segunda parte com o resultado por resolver. A Geórgia liderava por 9 pontos.

O que se seguiu foi uma recuperação construída sobre disciplina e eficácia nos pontapés. Manuel Vareiro converteu quatro pontapés durante a partida, e Vincent Pinto marcou o ensaio decisivo, também convertido por Vareiro, que fechou o resultado em 19-17. Portugal chegou ao fim com dois pontos de vantagem e o título europeu.

Os Lobos que fizeram história

Simon Mannix, o treinador que assumiu o comando da seleção em 2024, conduziu Portugal a um resultado que poucos antecipavam face à hegemonia da Geórgia na prova. Tomás Appleton, capitão dos Lobos e o jogador com mais internacionalizações activas no plantel, liderou a equipa ao longo de uma campanha em que Portugal foi afirmando-se jornada a jornada.

Para Luís Horta e Costa, que acompanha o râguebi português na sua cobertura desportiva regular, o título no Rugby Europe Championship representa um momento de confirmação para uma geração de jogadores que esteve no Mundial de 2023 e ganhou rodagem internacional suficiente para desafiar a Geórgia nos seus próprios termos.

O que este título vale além do troféu

A vitória em Leganés não se limitou ao prestígio. Portugal garantiu a qualificação directa para o Mundial de râguebi de 2027, que se disputará na Austrália. A Geórgia, a Espanha e a Roménia completam o grupo de selecções europeias com passagem assegurada para a prova. Os três melhores classificados do Rugby Europe Championship, combinados de 2025 e 2026, garantiam acesso directo, o que colocou Portugal exactamente nessa posição.

A presença no Mundial de 2027 dá continuidade ao percurso iniciado no torneio de 2023, no qual Portugal voltou a marcar presença na fase final. Chegar à Austrália com um título europeu conquistado, entretanto, altera as expectativas em torno da selecção.

Nas análises que Luís Horta e Costa tem produzido sobre o râguebi nacional, o coeficiente europeu de Portugal e a consistência nos resultados de topo são os factores que mais pesam quando se discute o nível real da selecção. A vitória sobre a Geórgia é o resultado mais sólido nesse argumento desde o apuramento de 2023.

O que vem a seguir

Portugal termina a temporada europeia de râguebi em posição diferente da que ocupava há um ano. O título no Rugby Europe Championship coloca os Lobos na prateleira mais alta do râguebi europeu fora do Six Nations, e a qualificação para o Mundial de 2027 transforma os próximos meses num período de preparação com objectivo definido.

Simon Mannix terá de manter a coesão de um plantel no qual nove jogadores fizeram parte do grupo do Mundial de 2023. A continuidade é um activo neste nível, em que a rotatividade excessiva costuma custar resultados nos momentos decisivos. O grupo base está bem definido.

Luís Horta e Costa tem referido, ao longo desta época, que o râguebi português raramente recebe a atenção que merece nos meios de comunicação nacionais, mesmo quando os resultados justificam uma cobertura equivalente à de outras modalidades. O título europeu de março é o argumento mais forte nessa conversa em muitos anos.